Scratch Austrália

A inactividade do blog esteve proporcionalmente inversa à diversidade de actividade que vivi nesta última etapa, na Austrália! Resolvi dedicar mais de 1mês a esta que é a maior ilha do Mundo e também o menor continente, por isso como era de esperar, ainda ficou muito por ver e fazer.
Comecei em Perth e fiz a costa sul até Melbourne, aí tive o reencontro com o meu marsupial, a cereja no topo do bolo, a minha mãe, e juntas fizemos a costa este, de Melbourne a Cape Tribulation. Não podia ter um final melhor esta minha aventura, não só pela envolvente mas muito pela maravilhosa companhia (excepto quando me chama Daniela Filipa!). Resumindo cerca de 10.000km pela estrada que se traduzem em muitas histórias/observações:

-Primeiro impacto foram as semelhanças com a América, quer nas cidades maiores quer em vilas pequenas perdidas no meio do nada a lembrar o Texas, quer na imensidão de floresta, onde são provocados incêndios propositados para evitar eventuais incêndios não controlados, quer ainda pela hospitalidade/simpatia dos locais;

-Um país gigante com uma das menores taxas de densidade populacional do mundo. A União Europeia cabe perfeitamente neste país que no entanto só tem o dobro de habitantes de Portugal. Este é um dos motivos para que hajam bastantes incentivos à imigração pois há trabalho q.b. para todos (inclusive recentemente o acordo de working visa com Portugal). Não fosse o facto de estar tão distante de tudo, ia para lá já amanhã; a qualidade de vida, organização, a forma como somos bem recebidos, a diversidade paisagística, da fauna e flora entre tantas outras coisas são mesmo aliciantes;

-Para internet grátis, valha-nos as cadeias de fast food…  Tantos cheeseburger comi (por força das circunstâncias obviamente). No entanto a maioria das principais cidades fornece normalmente uma linha gratuita de BUS ou ELÉCTRICO que corre as zonas mais turisticas e que nos permite fazer a digestão do cheeseburger enquanto apreciamos a paisagem;

-Para viajar dentro do país aconselho sem dúvida alguma o aluguer de uma Van. Além da Austrália estar equipada com excelentes infraestruturas para este tipo de turismo, a gasolina é mais barata que o gasóleo que por sua vez é mais barato que na Europa, as portagens são raras, apenas nas grandes cidades e ainda assim conseguem evitar-se e existem inúmeras companhias onde se podem alugar carrinhas equipadissímas para todos os gostos e feitios. Temos assim mobilidade, independência e ainda poupamos dinheiro em alojamento e refeições (que são dispendiosos), já que as carrinhas estão preparadas para nos permitir essa autonomia e ainda descobrimos lugares selvagens e pouco explorados; (wikicamps aplicação fantástica para quem quiser descobrir o país desta forma)

-Claro que há vantagens e desvantagens nesse contacto tão próximo com a natureza… Às vezes os animais tinham curiosidade em conhecer-nos de perto e alguns não tinham jeito para esse flirt, eram mesmo muito “atiradiços”; Ele era Kangurus, Koalas, Golfinhos, Tartarugas, Cassowaries, Emus, Pelicanos, Dragões de Komodo, moscas chatas e outros viscosos que eu quero acreditar para bem da minha saúde mental que seriam rãs;

-Existe um excesso de zelo nas estradas, aquando da aproximação de escolas, de realização de obras na via, os alertas constantes relativamente ao cansaço/necessidade de repouso na condução, inclusivamente podemos ir jogando aos jogos trivial contra a fadiga que aparecem nas sinaléticas de algumas auto-estradas;

-A sua dimensão justifica o facto de existirem diferentes fusos horários de estado para estado (fusos horários de 15 minutos, facto que desconhecia), variações climatéricas imensas e ainda controlo policial nas “fronteiras” havendo mesmo proibição de transporte de frutos e legumes entre certos estados como medida de quarentena e ainda um forte incentivo (quase competitivo entre estados) para consumo dos produtos regionais;

-Uma zona costeira imensa mas privada de muitos mergulhos na maioria das áreas de Novembro a Abril devido à presença de medusas e crocodilos. Os avisos são imensos e para prevenção são construídas áreas de banhos protegidas por bóias e redes mas mais parecemos peixes de aquário;

– 1 dólar australiano = 0,70 euro / 1 € = 1,41 AUD;

-necessário adaptador para tomadas, nem com artimanhas lá vai; No http://www.gumtree.com.au podemos encontrar adaptadores usados e tudo e mais alguma coisa, é o SITE! Utilizado por todos e para tudo por aquelas bandas e realmente bastante útil;

-Quanto à alimentação, talvez devido à influência britânica (é um reino da Commonwealth), o que se destaca mais são o fish&chips, fast food, as pies (tartes salgadas tipo empadas), e o intragável Vegemite. Eu à gulotona achava que era um derivado da Nutella, devido à sua cor e consistência, e como tal estava prestes a comer uma porção generosa daquela pasta com um bocadinho de pão e correu-me mesmo muito mal…Aquilo sabe a óleo de figado de bacalhau. Claro que comer logo aquilo pela manhã quem é que não fica com energia para o resto do dia?!?! aquilo é um “abre olhos”, “abre narinas”, “abre tudo”. A minha mãe até abriu a boca e pôs tudo cá para fora outra vez enquanto eu filmava o momento!O nosso frango de churrasco é muito conhecido por aquelas bandas e não nos tiram os créditos da autoria, mencionam sempre o produto português. Têm ainda muita produção própria de mangas, plantação de cana de açúcar, criação de gado (leite);

-Na linha de pensamento da influência britânica, aqui o volante é à direita e a condução à esquerda. Iniciei-me nestas aventuras num local onde a probabilidade de dar asneira era baixa, ou seja, na Nullarbor, a maior estrada na Austrália em linha recta e sem cruzamentos durante cerca de 147km. Os eventuais perigos seriam os aviões já que a estrada por vezes misturava-se com pistas de aterragem de emergência, ou o excesso de simpatia em querer cumprimentar efusivamente os outros, escassos, condutores; já que até os kangurus que por ali eventualmente existiam, já tinham saltado tudo que tinham para saltar e jaziam nas bermas da estrada de pernil estendido;

-Passar a noite no deserto é, de facto extraordinário, poder saborear o “barulho do silêncio” ou o brilho das constelações mais brilhantes que nunca. Constelações essas bem presentes no dia-a-dia. A constelação Cruzeiro do Sul faz parte da bandeira australiana, é um dos principais símbolos escolhidos para tatuagens ou em logótipos de empresas;

Até qualquer dia Austrália…

 

 

Scratch Thailand

-Se existe local onde não me importo de esperar é nos aeroportos. Adoro ver encontros e desencontros marcados por abraços mais apertados de saudade. Tive o prazer de ter no aeroporto de Bangkok, por duas ocasiões distintas, estas sensações, reencontrar-me com amigos e partilhar com eles parte da minha viagem.
A Janine conheço há pouco mais de um ano mas é como se a conhecesse a vida toda, é uma irmã que nunca tive, a minha família em Berlim basicamente (aprendi que ser emigrante cria laços mais fortes nas amizades que se constroem). Com ela comecei por Bangkok e segui para explorar Myanmar, entre saudáveis discussões e muitos risos, foi espetacular!
O Filipe conheço basicamente desde sempre. Já tínhamos passado bons momentos juntos, quando eu lhe ganhava a jogar aos matrecos, setas, sueca, a andar de bicicleta (vá, ele ganhou uma vez, quando fui contra um eucalipto a andar de bike e parti o braço) 😉 Desta vez saímos os dois a ganhar porque foram dias incríveis no paraíso! Com ele continuei a explorar a Tailândia.
Foi muito bom tê-los por cá e partilhar estes momentos com a magnifica companhia deles!;

-Bangkok é definitivamente uma cidade muito promíscua e vive para a noite. Prostituição q.b., imensas elas que são eles, bancas no meio dos mercados cheias de viagra e objectos sexuais com fartura para os mais entediados, não esquecendo o tão badalado Ping Pong show que se ‘vende’ como quem ‘vende’ tuk-tuks (as habilidades que as meninas são capazes de fazer com a dita cuja, valha-me deus!); e então se Bangkok é promíscuo, Phuket ganha o campeonato aos pontos. Quanto “amor comprado”!;

-Para se redimir dos pecados carnais há logo ali um templo ao final de cada esquina onde se pode dar oferendas ao Budha (fruta, flores, dinheiro, etc) e fica tudo resolvido;

-que gente tão trapalhona e cheia de esquemas para enganar o turista. Devemos estar sempre de olhos bem abertos e não em bico por aqui;

-1 euro = 41 Baht Tailandês / 1 THB = 0,02€;

-Street food por todo o lado.
Barracas e mais barracas que dariam muito trabalhinho à nossa ASAE, mas que realmente fazem comida tão deliciosa e tão barata que mais vale a ASAE não estragar o negócio…Por menos de 2€ conseguimos uma refeição completa que inclui sumo natural de um qualquer fruto tropical e mango sticky rice (que é qualquer coisa de divinal, manga com arroz e leite de coco). Continuando nas iguarias, Pad thai, fried rice, seafood, caril, coconut ice cream, satay, rotee, chai latte são as provas obrigatórias. Para quem gostar de algo mais estaladiço: baratas, gafanhotos, escorpiões, minhocas fritas parecem ser bastante crocantes;

-Baratas essas que antes de irem para a sertã parece que andam a provocar pelas ruas de Bangkok. Elas e as suas amigas ratazanas.Cidade muito suja que o que tem a mais de cabos eléctricos por todo o lado, tem a menos de caixotes do lixo. As máscaras de combate à poluição atmosférica são um acessório;

-Há autocarros públicos gratuitos e os que não são também não ficam longe disso. A utilização do metro é das mais respeitosas que já vi, além de esperarem nos lados para entrar, apenas depois de todos terem saído, fazem fila!!;

-Tanto consumismo, mercados flutuantes, noturnos, de fim de semana, não se consegue perceber como escoam tanto produto e de onde vem tanta mercadoria falsificada;

-Para descomprimir desta azáfama diária nada que uma thai massage a preço de chuva não resolva! Estas massagens devem ser um derivado do Muai Thai pois parece que estamos a levar uma coça e estalam-nos com todos os ossinhos do corpo, mas no final o resultado é compensador;

-Ou então uma viagem até às Phi Phi resolve tudo. Para aqueles que vão para o inferno e quiserem saber o que é o paraíso, eu encontrei! Estas ilhas sofreram com o Tsunami de 2004 mas já estão praticamente recompostas da tragédia. O filme “The Beach” foi por aquelas bandas filmado. Pudera, aquilo é mesmo a bitch de uma beach;

-Em Chiang Mai tive a oportunidade de assistir durante 3 dias (na lua cheia) ao Yee Peng sky festival lanterns, que digamos que é um S.João do Porto com uma pitada de Carnaval da Mealhada e procissão das velas de Fátima à mistura. Muitos balões, muitos foguetes, muitos desejos e muitos arranjos de flores flutuantes pelo rio abaixo;

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Scratch Myanmar

-Myanmar (antiga Birmânia) é um país que só abriu as suas portas ao turismo há cerca de 2 anos, e onde todos necessitam de visto antecipado (a embaixada de Myanmar em Bangkok parece a Sra. da Hora em dia de feira) e ainda em algumas vilas, como Inle e Bagan, todo o turista tem que pagar uma taxa à entrada (10 e 15 $USD respectivamente) Se chegarem pela madrugada podem ter sorte do taxista estar meio a dormir e esquecer-se de parar nesse posto inicial de pagamento; 😉

-Cães, crianças e motas com fartura, quase em tanta quantidade como os templos e pagodes. Já não posso ver o Budha à minha frente nem os peditórios para o mesmo!;

-1euro = 1250 Kyat birmanês / 1MMK = 0,0008€ (não há moedas em circulação);

-Este mundo anda mesmo todo trocado… Enquanto uns “trabalham para o bronze” e usam base para dar aquele tom mais bronzeado, aqui usam uma espécie de pasta de madeira na cara que para além de proteger do sol, branqueia a cara (não admira que a nivea tenha lançado um creme branqueador por estas bandas!;

-Outro adereço interessante é o sarong que os homens usam (para mal dos meus pecados, comprovado que é sem nada por baixo)…É uma pena, já que não dá para avaliar numa primeira análise se têm o rabo jeitoso e tira logo o sexappel todo ver um homem de saia.
No entanto sexappel é uma coisa que perdem logo mal abrem a boca (literalmente) pois estão sempre a mascar noz de areca (a semente de um vegetal envolta em folha de árvore) e isso põe-lhes a boca/dentes todos vermelhos, parecendo que estão a sangrar. Esse espécie de liquido sangrento é cuspido para o chão sem qualquer etiqueta e com sorte ainda levamos com ele nos pés. Este vício infelizmente é tido pela maioria! (No entanto, tal como a fumar, só vi homens a mascar isto);

-A simpatia e hospitalidade são características típicas dos Birmaneses. O que se dispensa é o extremo exagero dos taxistas e aquele sorriso com a boca cheia de nhanha;

-Com esta tão pouca higiene dentária não é de estranhar que se dê por todo o lado (hotéis, bus) kits de escova+pasta de dentes assim como se vê publicidade de dentífricos e detergentes por todo o lado;

-O chá é comestível, tudo é frito, muitos ovos, dim sum(hummm), fried rice, marisco, panquecas, água de coco, sumos naturais, leite condensado e chamuças a 0,04€!!!!!! Não me dava mal aqui; as baratas e companhia limitada não são só para turista ver, fazem mesmo parte dos petiscos…reconsidero ser vegetariana sendo assim;

-Atenção que andar de autocarro pode ser um divertimento melhor que o Kanguru das feiras populares, com arrotos e vómitos à mistura dos locais (não esquecendo o ‘esguichar’
do liquido vermelho quer pela janela quer nos saquinhos existentes para o efeito). E quando nos vendem um middle seat para uma viagem de 12horas de autocarro, não pensem, como eu, que é o lugar do corredor, mas sim, e com a sua lógica, traduzido à letra, o lugar do meio. Umas cadeirinhas nada confortáveis aparecem, como que por magia, e lá vamos nós felizes e contentes no meio de 4 passageiros que do alto das suas poltronas dormem relaxados e ainda nos mandam com os braços para cima;

-A luz falha frequentemente e a internet parece que falha sempre. A parceria com operadores móveis internacionais parece que ainda não foi feita, logo rede no telemóvel é para esquecer. Falando em marcas internacionais, o que é isso?!?

-Os Wc’s são à caçador, mas isso já faz parte do meu quotidiano desde há alguns países atrás… Nada de novo!;

-Em Novembro começa a época balnear e a enchente de turistas (mais locais) até lá podemos ter praias de km’s só para nós e com gado à mistura. Até lá as atracções turísticas da zona somos nós… Até fotos connosco querem tirar;

-Amor e uma cabana, não sei quem inventou isso mas é tudo o que eu não quero… Pelo menos se as cabanas forem como estas, com rãs, baratas, gafanhotos, lagartos e aranhas (do tamanho de cavalos) à mistura;

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